Quanto um evento na cidade muda o resultado de um hotel
Em um hotel de médio porte em São Paulo, os dias com evento tiveram ocupação de 83% contra 76%, RevPAR de R$ 433,89 contra R$ 359,72, e lucro diário de R$ 204,52 contra R$ 154,48, um aumento médio de R$ 74,12 por dia, estatisticamente significativo. Veja o tamanho real do efeito e o que fazer com ele.
Quem opera um hotel em São Paulo sente que os eventos mudam o jogo, mas sentir não é medir, e essa diferença separa uma decisão de preço no chute de uma decisão informada. Analisando os dados diários de um hotel na região da Paulista, separei cada dia entre com evento e sem evento, e comparei os dois grupos. O resultado dá tamanho ao que antes era intuição.
O que muda num dia de evento
A ocupação responde primeiro, subindo de 76% nos dias sem evento para 83% nos dias com evento, de cerca de 92 para 101 quartos vendidos por dia. Mas o efeito mais interessante não é só vender mais quartos, é vender a um preço melhor ao mesmo tempo.
| Indicador | Sem evento | Com evento |
|---|---|---|
| Ocupação | 76% | 83% |
| Diárias vendidas (dia) | 92,15 | 101,33 |
| Diária média | R$ 467,84 | R$ 512,82 |
| RevPAR | R$ 359,72 | R$ 433,89 |
| Lucro diário | R$ 154,48 | R$ 204,52 |
A diária média sobe de R$ 467,84 para R$ 512,82, e o RevPAR, a receita por quarto disponível, salta de R$ 359,72 para R$ 433,89. O RevPAR é o número mais revelador, porque combina as duas alavancas, mais quartos e a um preço mais alto, e por isso sobe mais que a ocupação isolada. O evento não enche o hotel só de gente, enche de gente disposta a pagar mais.
No lucro, o efeito é o mais expressivo. O lucro diário médio passa de R$ 154,48 para R$ 204,52 com evento. Uma regressão confirmou que não era ruído, o efeito do evento sobre o lucro foi estatisticamente significativo, com aumento médio de R$ 74,12 por dia de evento e p menor que 0,001, e o evento aumenta as diárias vendidas em cerca de 6,35 por dia, com p de 0,004.
O que fazer com isso
A implicação é direta e liga este achado à previsão. Se o evento move a demanda de forma tão clara, o calendário de eventos da cidade precisa entrar na previsão e na precificação como variável de primeira ordem, não como detalhe. Foi isso que tornou o modelo mais preciso no estudo principal da série, e é o que permite alinhar preço, equipe e compras aos dias de demanda alta.
Há ainda uma camada que merece um estudo próprio. Se no dia de evento o hóspede paga mais, qual o limite desse aumento antes de a demanda recuar? Essa é a pergunta da elasticidade de preço, e os números do mesmo hotel respondem de um jeito que muda a estratégia de tarifa, como mostro no estudo a seguir.
Seus dados sabem coisas que você ainda não perguntou
Se a sua operação tem dados de vendas, ocupação ou faturamento parados numa planilha, a conversa começa com um diagnóstico do que eles já podem revelar.
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